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Documentário 'Central' entra na segunda semana de exibição nos cinemas

06/04/2017

 

 

Além de Porto Alegre e Caxias do Sul, o filme entra em cartaz em Santa Cruz do Sul. São Paulo e Rio de Janeiro seguem na programação.

 

Com grande repercussão na mídia local e nacional, o documentário, que revela de dentro das celas a realidade nua e crua do pior presídio do Brasil e também da América Latina - o Presídio Central - , segue em cartaz nas principais cidades do país. Com sessões lotadas em Porto Alegre e com grande aceitação por parte do público nas demais cidades, o filme, dirigido por Tatiana Sager e com codireção de Renato Dornelles, é unanimidade entre os críticos como um documentário impactante que revela com qualidade a dimensão das disputas de poder entre as facções dentro da cadeia e a realidade de superlotação e vulnerabilidade social em que são submetidos os detentos. Para muitos jornalistas e para o público em geral, Central é um filme necessário para entender o caos do sistema carcerário no Brasil e a onda de violência e criminalidade das principais cidades brasileiras.

 

O documentário traz à tona, além da narrativa vista sob a ótica dos diretores, o olhar dos próprios presos sobre a realidade em que vivem. Com câmeras nas mãos, os presos captaram imagens diretamente nas galerias, onde nem mesmo a polícia tem acesso. O filme mostra a vida como ela é dentro de celas superlotadas, sem higiene e com uso liberado de todos os tipos de drogas.

 

Tatiana Sager, jornalista e fotógrafa há mais de 20 anos, permaneceu durante 70 dias dentro do Presídio Central de Porto Alegre, após uma negociação tensa com os apenados, e registrou o cotidiano por trás das grades e testemunhou o sistema de organização dos presos, que hoje vivem divididos em galerias por conta da superlotação da cadeia. Para mostrar as cenas do interior do Central, em especial as registradas pelos próprios detentos, Sager cumpriu uma negociação de três anos com autoridades, advogados e os chamados 'plantões' das galerias, presos que possuem um status de prefeito e que comandam tudo o que pode ser feito pelos apenados de cada facção.

 

O documentário é inspirado no livro Falange Gaúcha - a história do Crime Organizado no RS, de Dornelles, que aborda a dimensão das disputas de poder entre as facções, os conceitos de violência simbólica e econômica, segregação e vulnerabilidade social e, ao mesmo tempo, os conceitos de vingança privada, universidade do crime e o senso comum, expresso no ditado popular “bandido bom é bandido morto!”. O filme também dialoga sobre a questão da segurança pública, um dos principais temas em debate no país. Entender a lógica do encarceramento em massa é mergulhar na história de um Brasil pouco conhecido, em que o Estado atua na contramão da própria reconquista da liberdade e ressocialização dos cidadãos infratores.

 

A partir de depoimentos de policiais militares, autoridades, como o juiz Sidinei Brzuska, da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre, o promotor de Justiça Gilmar Bortolotto, e o sociólogo Marcos Rolim, familiares e presos, o filme também desnuda as diversas faces de uma mesma história, procurando expressar a autenticidade de um mundo que corre à margem, mas que está absolutamente integrado à nossa estrutura social.

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